
Melasma
O melasma é uma condição dermatológica caracterizada pelo aparecimento de manchas escuras na pele, predominantemente no rosto (testa, maçãs do rosto, nariz, lábio superior e queixo), mas que pode surgir também em áreas expostas ao sol, como antebraços e colo.
Afeta milhões de pessoas em todo o mundo e é uma das principais queixas nos consultórios de dermatologia. As manchas variam de tons de marrom claro a marrom escuro, costumam ser simétricas e causam impacto estético relevante na autoestima de quem as tem.
Por que o melasma aparece?
As causas exatas do melasma ainda não são totalmente compreendidas, mas sabe-se que há um componente genético importante. Além da predisposição hereditária, diversos fatores externos e internos contribuem para o seu desenvolvimento ou para agravar as manchas já existentes.
Exposição solar
A radiação UV estimula a produção de melanina. Importante: pegar sol em qualquer parte do corpo (mesmo com o rosto protegido) pode ativar melanócitos faciais e escurecer as manchas.
Alterações hormonais
Gravidez, uso de anticoncepcionais orais e terapia de reposição hormonal são gatilhos frequentes.
Cosméticos inadequados
Produtos irritantes para a pele, especialmente quando combinados com exposição solar, podem agravar o quadro.
Luz visível
A luz visível do dia está presente até dentro de casa e tem forte relação com a piora do melasma. Telas e lâmpadas, ao contrário do que se pensava, não têm intensidade suficiente para manchar: o protetor é essencial durante o dia, não à noite.
Calor e infravermelho
Infravermelho, calor ambiental e exposição térmica repetida (sauna, cozinha quente, exercício intenso) podem piorar o melasma mesmo sem sol. Controlar fontes de calor no rosto faz parte do cuidado.
Quem tem mais chance de desenvolver melasma?
A genética é o principal fator de risco, mas não o único. Certas características aumentam a probabilidade de desenvolvimento das manchas:
- Sexo feminino: mulheres são significativamente mais afetadas
- Fototipos mais escuros: peles com maior quantidade de melanina têm maior predisposição
- Exposição solar frequente: sem proteção adequada e consistente
- Histórico familiar: parentes de primeiro grau com melasma elevam o risco
- Uso de hormônios exógenos: anticoncepcionais e reposição hormonal
Como tratar o melasma?
O tratamento do melasma é personalizado e pode ser desafiador: os resultados variam de pessoa para pessoa. O pilar inegociável de qualquer protocolo é a proteção solar intensa e consistente. Os demais tratamentos são complementares e só alcançam seu potencial máximo quando a fotoexposição está bem controlada.
Protetor solar diário
De uso obrigatório, mesmo dentro de casa. Dê preferência a protetores com pigmento e, quando possível, de base física ou mineral.
Protetor solar oral
Em comprimidos à base de Polypodium leucotomos, que reforça a defesa contra radiação UV e luz visível a partir de dentro.
Roupas com fator UV
Complementam a proteção física, essenciais em atividades ao ar livre.
Cremes clareadores
Formulações com hidroquinona, ácido glicólico, ácido kójico ou retinoides ajudam a reduzir as manchas, sempre prescritas pelo dermatologista para evitar irritações.
Cremes antienvelhecimento
Tratando a saúde global da pele (além do excesso de pigmento), as manchas também respondem positivamente.
Procedimentos dermatológicos
Peelings químicos, microagulhamento e laser para casos mais resistentes. Bioestimuladores e ultrassom microfocado também podem contribuir para a melhora das manchas.
Consistência é a chave
O melasma é uma condição crônica que exige cuidados contínuos. Com o protocolo correto e acompanhamento dermatológico, é possível reduzir expressivamente as manchas e manter a pele saudável e uniforme.
Dois pontos fundamentais que todo paciente precisa entender:
- O sol no corpo piora as manchas do rosto. Mesmo com protetor facial, a exposição solar em qualquer parte da pele pode ativar melanócitos no rosto.
- A radiação UVA não tem horário nem estação. Ela é constante ao longo de todo o dia e de todo o ano: às 8h ou às 11h, no inverno ou no verão. Não se engane com um “sol fraquinho”.
Consistência no protetor solar, no tratamento prescrito e nas consultas de acompanhamento é o que separa resultados mediocres de resultados reais.
Melasma vai além do pigmento
A Dra. Alessandra Drummond explica que o melasma foi tratado por décadas apenas como uma doença do pigmento, com foco em clareadores. O conceito atual é que muitos casos têm também um componente vascular. Por isso cresce o interesse no ácido tranexâmico, nas tecnologias vasculares, nos antioxidantes e anti-inflamatórios tópicos e nas estratégias de reparo da barreira da pele.
Entre os despigmentantes, o tiamidol ganhou destaque, principalmente na manutenção. E o laser Fotona no modo anti-inflamatório, que usamos há anos para tratar rosácea, vem mostrando resultados promissores para o melasma. Tecnologias, porém, exigem critério: peelings e lasers mal indicados podem piorar as manchas ou causar efeito rebote. É por isso que melasma não se trata por conta própria: a avaliação médica define o que pode e o que não pode na sua pele.
Dúvidas comuns
Melasma tem cura?
Ainda não existe cura definitiva: é uma condição crônica. Existe controle muito bom, com pele clara e uniforme, desde que o cuidado seja contínuo.
Preciso usar protetor solar dentro de casa? E à noite?
Dentro de casa, durante o dia, sim: a luz visível entra pelas janelas e piora o melasma. À noite não é necessário, porque lâmpadas e telas não têm intensidade suficiente para manchar.
Por que o protetor com cor é melhor para quem tem melasma?
O pigmento do protetor com cor contém óxido de ferro, a substância que melhor protege contra a luz visível.
Laser resolve melasma?
Pode ajudar quando bem indicado. Mal indicado, piora as manchas e pode causar efeito rebote. A escolha depende de avaliação médica.
Gravidez e anticoncepcional influenciam?
Sim, alterações hormonais estão entre os principais gatilhos do melasma. Vale conversar sobre isso na consulta.
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